quarta-feira, 21 de novembro de 2012

Capítulo 6 – O Sexagenário e a Seleção Natural


O grande complexo médico da Estação 2000 ocupava um pavimento inteiro e ficava abaixo do pavimento militar.
Jonathan e Helena percorriam, abraçados, os corredores do pavimento militar em direção aos elevadores, quando cruzaram com Jakeline Jakarta, que, ao passar ao lado de Jonathan, deu-lhe uma piscadela de um olho. Jonathan desviou o olhar considerando o momento totalmente inoportuno. Helena apenas olhou pra ele franzindo o cenho.
A tensão que sentiam ao se encaminhar para a consulta com o doutor Peres era maior que qualquer ciúme. O medo que sentiam consumia suas mentes.

- Não posso tirar conclusões precipitadas, Helena. O feto ainda é muito pequeno. – Disse o doutor Peres após realizar a ultra-sonografia em Helena.
- Doutor, eu preciso da sua ajuda. Não posso correr o risco de perdê-lo. – Suplicava Helena, ciente da horrível possibilidade de uma gestação mal-sucedida.

A ciência genética havia evoluído muito e era capaz de manipular os cromossomos humanos evitando com facilidade as más formações fetais e doenças de caráter genético. Mas a superpopulação da estação era tamanho problema, que exigia medidas drásticas para seu controle. Várias leis tiveram de ser criadas para garantir que a população não crescesse a níveis exorbitantes e ultrapassasse a capacidade comportada pela estação, uma delas era a lei de Seleção Natural.
A Seleção Natural, assim como no mundo animal, determinava quais indivíduos teriam condições de crescer saudáveis e no futuro contribuir com o desenvolvimento da estação. As mulheres grávidas eram submetidas a exames, durante toda a gestação, com o objetivo de determinar más formações, problemas mentais ou doenças genéticas que comprometessem a saúde do bebê, sendo que os considerados inaptos eram descartados da sociedade. Os casais também foram proibidos de ter mais de um filho do mesmo sexo, sendo que o segundo também seria considerado inapto.
Engravidar tornara-se o maior pesadelo de todas as mulheres, pois sabiam que os fetos considerados inaptos de forma alguma seriam abortados. O material orgânico que compunha os recém-nascidos não podia ser desperdiçado, então os cientistas da estação aguardavam todo o período de gestação e, logo após a concepção, os bebês eram separados das mães e sacrificados no processo chamado de Sintetização Orgânica.

- Sabe que corro um risco enorme com isso, Helena. Posso até ser preso, mas não posso deixá-la sozinha nesse momento. – Dizia o doutor Peres, empático com situação de Helena. – Vou acompanhar sua gravidez e fazer o possível, mas não posso lhe garantir nada ao trabalhar escondido.

Aquele homem simples, de meia idade, cabelos grisalhos, baixa estatura e enormes óculos fundo de garrafa, era simplesmente o mais conceituado especialista em ciência genética da Estação 2000. Ele havia sido professor de Helena durante seus anos na academia, e a dedicação da garota aos estudos, juntamente ao seu interesse na formação cientifica, também na área da genética, garantiram-lhe o apreço e carinho do professor, que passou a considerá-la sua discípula. A influência do doutor no meio acadêmico e cientifico lhe permitiria ter fácil acesso aos recursos que precisaria para tratar Helena, mas ainda assim correria o risco de seu objetivo ser identificado pela administração, sua licença de atuação ser caçada e até mesmo de ser preso. O bondoso doutor Phillip Peres não se importava com isso, tinha para si que se sua enorme paixão pela ciência pudesse ajudar alguém, ou até salvar uma vida, tudo valeria à pena. Os fins justificariam os meios.

Helena passou a visitar semanalmente o laboratório do doutor Peres. Como durante o dia os laboratórios eram sempre muito movimentados, as consultas eram realizadas sempre durante a noite, buscando não levantar suspeitas.
- Muito bem, Helena, vejo que sua saúde continua perfeita. Se os pais são saudáveis, dificilmente o bebê não o será. – Parabenizou o doutor Peres. – Deite-se. Deixe-me ver como ele está.
- Ela, doutor. – Corrigiu Helena, incerta, ao deitar-se na maca.
- É muito cedo pra sabermos, minha cara. Mas eu poderia apostar que será um garotão.
- Jonathan também sempre diz isso. Um menino forte como o pai. – Respondeu Helena, engrossando a voz para imitar a de Jonathan.
  
O tratamento transcorreu muito bem durante os primeiros meses de gestação, mas o sistema de controle de acesso dos laboratórios detectou a estranha atividade noturna, alarmando a administração científica e incitando a investigação dos responsáveis e sua motivação. Não demorou muito até que as suspeitas se confirmassem e uma comitiva militar fosse destacada para surpreender e frustrar os planos dos dois cientistas.
O doutor Peres ministrava vitaminas a Helena quando, de repente, vários militares romperam a porta e, apontando armas em direção aos dois, deram voz de prisão. Detrás do grupo armado, surgiu a irritada figura do diretor dos laboratórios.
- Quem diria? Doutores Peres e Dias, nossos melhores geneticistas. – O homenzinho baixo e acima do peso parecia estar a ponto de explodir. O tom de voz com que se referia aos dois transparecia inveja e prazer. – Tentando burlar a Seleção Natural, não é? Pensavam que poderiam fazer tudo debaixo do meu nariz e que eu não ficaria sabendo de nada. Pois é, não sou tão idiota quanto pensam. Vocês irão pra cadeia e suas licenças... Podem esquecer!

...
 
O sonho de liberdade encantava Mercedes. Depois de tanto tempo esse sonho finalmente se realizara, ela estava livre pra viver sua vida junto àquele que amava. Mas algo ainda pesava em seu coração, uma mágoa que o tempo não conseguira apagar, um espaço que o amor ainda não pudera preencher. Sabia que para dar fim àquele sofrimento poderia perder tudo que conquistara, poderia perder seu amor e ser privada novamente da tão almejada liberdade, liberdade aquela que lhe foi privada durante tanto tempo, justamente por aquilo que ainda a angustiava. Sofria com o paradoxo de pensamentos em sua cabeça, amava Giovanni e não suportaria perde-lo, mas também não conseguia viver com aquelas lembranças, com aquele aperto em seu peito. Tinha que cumprir a promessa que havia feita há tanto tempo.
Mercedes entrou calmamente na loja onde fora presa, anos atrás, e nem se deu conta do barulho irritante que fez o sino, preso ao batente, quando a porta se fechou atrás dela. Contemplava fixamente a lâmina justiceira exposta sobre a prateleira. Virou-se lentamente para o velho proprietário do estabelecimento, que a observava reconhecendo suas feições.

- Senhor, estive presa durante quase toda a minha vida por causa deste punhal. Estou aqui hoje para me desculpar pelo que fiz e pedir que, se não pode me vendê-lo, o senhor o me dê de bom grado.

O homem reconhecera no rosto da mulher a pequena garota que um dia tentara lhe roubar aquela peça, mas não compreendia por que, depois de tantos anos, aquela peça ainda exercia tamanho fascínio naquela moça. O homem sentiu em seu peito o mesmo remorso que sentira quando viu a garota sendo presa naquele dia, tinha certeza que aquela mulher parada a sua frente guardava em seu ser um sofrimento que ele nem sequer podia imaginar.
Ela não suportava a ansiedade, sabia que não teria outra chance, precisava do punhal, seu tempo estava se esgotando.
- Não tenho muito dinheiro agora, mas posso jurar que lhe pagarei o preço que for necessário por ele.
- Você já pagou um preço mais alto do que ele poderia valer. Estou velho e não tenho descendentes, logo não poderei mais evitar meu indesejado destino e não tenho pra quem deixar meu legado. – O homem respirou fundo, ponderando mais uma vez a respeito do que estava prestes a dizer. – Não sei por que o deseja tanto, mas alguém disposta a viver na cadeia por ele, com certeza o fez por merecer. O punhal é seu, querida, e quando eu me for, também minha loja será sua.

...

- Sei que o senhor está aposentado, mas não teria vindo se não fosse realmente urgente. – Dizia Jonathan Trust ao entrar, desesperado, na cabine do General McCartney.
- Acalme-se, filho. O que houve? – Perguntou o General, que acompanhou Jonathan até o sofá e proativamente buscou uma bebida para servi-lo.
- Helena e o doutro Peres foram presos na noite passada. Ela está grávida e ele a estava tratando para evitar a Seleção Natural.
- Meus parabéns, Jonathan, você será pai! – Sorriu o general, tentando tornar a situação mais tênue do que se apresentava. – Evitar a aplicação de uma lei é crime e eles terão de ser julgados. Posso exercer alguma influência no julgamento e até evitar a prisão, mas não creio que voltarão a exercer a carreira científica. – O general sentou-se ao lado de Jonathan e posou a mão sobre seu ombro. – Por agora, posso te garantir que responderão em liberdade.
  
Jonathan circulava cabisbaixo pelos corredores do pavimento militar, sua cabeça quase explodindo de tanta tensão. Milhares de pensamentos a respeito da Seleção Natural, da gravidez de Helena, seu tratamento, sua recente prisão e seu futuro julgamento bombardeavam a mente dele. Foi quando, na outra extremidade do corredor, ele avistou Jakeline Jakarta. Não estava disposto a encontrá-la, aquele não era um bom momento. Virou as costas e começou a caminhar na direção oposta.
- Ei, espera aí. – Gritou Jakeline correndo em direção a ele. – O que está acontecendo com você? Por que está me evitando? – Disse ao alcançá-lo.
- Quer tomar um café? – Respondeu Jonathan, respirando fundo, ao se confrontar com uma situação que ele preferia ter adiado.

Sentado de frente para Jakeline em uma das mesas da cafeteria, Jonathan olhava em silêncio para sua xícara enquanto misturava o creme em seu café. Levantou então a cabeça, olhou diretamente nos olhos de Jakeline e disse decidido:  
- Não posso mais ver você.
Jakeline não respondeu, apenas recebeu amarguradamente a notícia. Sabia que não teria chance de discutir.
- Helena está grávida... E eu a amo!

...

Assim como a Seleção Natural, a Lei do Sexagenário também visava o controle populacional na Estação 2000. A população idosa era considerada incapaz de exercer plenamente suas funções, prejudicando o progresso da estação, assim, foi decretado que todos os habitantes com mais de sessenta anos deixariam de compor a sociedade. Porém, a prática de sacrifício dos idosos era considerada demasiado cruel para os entes que permaneciam vivos, causando depressão, dificuldade de aceitação da realidade e consequentemente a perda de produtividade, então foi criada uma forma de mascarar esse processo.
Foi instituída uma cerimônia de despedida, baseada nos costumes dos antigos esquimós, onde a família do idoso o acomodava em uma cápsula espacial, com todo o conforto que considerava devido, e o despachava no espaço, para que lá vivesse seus últimos dias. A matéria orgânica dos idosos, ainda maior que a dos bebês, obviamente não era desperdiçada. Uma particularidade da estação, só conhecida pela sociedade científica e pessoas próximas a essa, era a missão de recolhimento das cápsulas antes que se afastassem muito da estação, recuperando tanto a matéria orgânica quanto as próprias cápsulas, que seriam reutilizadas e revertidas em lucros ao serem revendidas para outras famílias. Assim como todas as leis na Estação 2000, a lei do Sexagenário só era aplicada, efetivamente, aos pobres e aos menos influentes.
A população idosa da Estação 2000 era muito grande devido à baixa taxa de mortalidade natural, então o número de cápsulas disponíveis geralmente não atendia a demanda de idosos que mensalmente atingia a idade seletiva, de sessenta anos, gerando uma fila de priorização que visava primeiramente prisioneiros, pessoas que adquiriram alguma deficiência durante o exercício de suas funções e só então os que, há mais tempo, atingiram a idade seletiva. Essa priorização acabava por prolongar a vida de muitos idosos, às vezes até em dez anos.
Talvez a maior ironia encontrada na Estação 2000 fosse a inexistência de pena de morte para criminosos. A alta administração considerava a execução de pessoas saudáveis um desperdício de recursos. Logo, os prisioneiros eram condenados a realizar trabalhos forçados, quais os membros livres da sociedade consideravam indesejáveis, até que atingissem idade que os qualificassem a Lei do Sexagenário. Trabalhadores e infantes inocentes eram sacrificados enquanto se trabalhava para sustentar criminosos.

Mercedes sabia que essa era a última chance que teria de vingar a morte de sua mãe e a decadência de sua vida. Ela percorreu, a passos firmes, a passarela que dava acesso as plataformas de lançamento das cápsulas, cruzando com as diversas famílias, que, com tristeza, se despediam de seus idosos. A tristeza não lhe abalava naquele momento, lembrava-se nitidamente daquele dia, da imagem de sua mãe estirada, sem vida, sobre o chão, sentia ódio.
Em frente à última plataforma, sentado sozinho no chão, estava um homem velho e aparentemente desnutrido. As marcas da idade eram acentuadas em seu rosto, aparentando ter tido uma vida dura e sofrida. Sua roupa, em trapos, era o melhor que podia dispor naquele momento, e as algemas prendendo suas mãos acentuavam ainda mais o ar melancólico em torno daquele ser.
Mercedes se aproximou, parando em frente ao tal homem, que se levantou quase não acreditando no que via.
- É você mesma? Não esperava sua visita.
Mercedes passara muito tempo de sua vida pensando no que diria, e até chegou a ter diálogos inteiros consigo mesma, tentando supor como reagiria quando aquele momento chegasse, mas ali, na presença de seu pai, não conseguia pronunciar sequer uma palavra. A angústia que sentia em seu coração não permitia que organizasse a torrente de pensamentos que lhe passavam pela cabeça. Parada em frente àquele homem, só conseguia concentrar-se em um ideal, iria matá-lo. Puxou sutilmente o punhal de dentro da bainha, presa a sua cintura, e segurou-o, esticando os braços junto ao corpo, escondendo-o sob o pano do vestido.
- Nunca imaginei que a veria de novo. – Disse o homem, com a voz rouca e certa dificuldade na respiração. – Deus me deu uma nova oportunidade.
A imagem que Mercedes enxergava estava bem longe do que havia imaginado. Lembrava-se do homem de cabelos escuros e pele morena, magro, porém forte, que destruíra sua vida. Mas o que via em sua frente era retrato do fracasso total, a ruína de alguém que galgara seu próprio fim. Ela não podia tolerar que aquele sujeito tivesse a coragem de se referir a Deus. Apertou com mais força o cabo do punhal em sua mão. Tinha ódio em seu olhar.
- Não posso esperar seu perdão, mas estou grato por poder dizer, do fundo do meu coração, que me arrependo de tudo que fiz. – E o velho tossiu de forma rascante. De seus olhos escorriam lágrimas abundantemente.
Mercedes começava a revoltar-se consigo mesma. Por algum motivo que não compreendia, não conseguia se mover, não conseguia desferir o golpe decisivo, apenas permanecia imóvel, apertando cada vez mais forte o cabo do punhal e escutando atentamente o que aquele velho esfarrapado dizia. Seus olhos começaram a marejar.
- A vida me mostrou cruelmente que eu estava errado. Talvez o que passei nunca seja suficiente, mas sei que hoje posso morrer... – Tossiu mais uma vez, esforçando-se para concluir a frase. – Posso morrer satisfeito por poder, mais uma vez, contemplar a beleza de seus olhos.
O velho virou-se de costas para Mercedes e começou a caminhar, com dificuldade, em direção a cápsula, que logo seria despachada. Mercedes o observava caminhar segurando-se para não derramar as lágrimas que empoçavam seus olhos, ainda não compreendia por que não fora capaz de fazer o que passara toda a vida planejando.
Sentiu então, alguém que se aproximava por trás, segurar-lhe firmemente os braços e deixou cair o punhal, que se fincou no piso emborrachado da plataforma.  Mercedes virou-se e apoiou a cabeça sobre o peito daquele que chegava, não conseguindo mais conter o choro. Giovanni Rizzo abraçou-a ternamente e afagou seus cabelos, enquanto observava a cápsula ser finalmente lançada no espaço.
- Você é uma boa pessoa, Mercedes. A melhor que já conheci.

...

Ao completar seis meses de gestação, já era possível identificar através da ultra-sonografia, o sexo e qualquer má formação do feto, por isso o último exame, antes do nascimento do bebê, era realizado nesse período. Após esse exame, seria realizada apenas mais uma avaliação, após o nascimento do bebê, buscando caracterizar problemas que não podiam ser detectados pela ultra-sonografia. Normalmente, após o exame dos seis meses, os pais se sentiam mais aliviados, pois sabiam que apenas dez por cento dos bebês era desqualificado na avaliação pós-nascimento.
Os meses haviam passado e Helena estava próxima da realização do tal exame. A idéia de finalmente realizar um exame, tão importante e decisivo para seu futuro e de seu bebê, era angustiante, mas graças à presteza de seu mestre, o doutor Peres, sentia-se mais confiante, pois sua gravidez, na medida do que foi possível, foi acompanhada e conduzida de forma a evitar qualquer tipo de inconveniente.
Ela e Jonathan sempre foram muito saudáveis, tornando difícil a aparição de qualquer doença genética, e apesar de ela usar óculos, as doenças de visão, que não a comprometiam completamente, muitas vezes não eram detectadas nos exames ou eram até mesmo desconsideradas.

Os seis meses de gravidez haviam sido torturantes para seus corações, ansiosos por saber se tudo dera certo, se o tratamento havia sido efetivo e se eles realmente teriam um filho, mas finalmente a espera estava para acabar.
- Deite-se na maca para começarmos o exame. – Disse secamente a enfermeira.
Helena deitou-se, apreensiva, e Jonathan se postou ao seu lado, segurando sua mão, trêmula e suada. Ela lembrava-se do doutro Peres, de como ele havia sido bom pra ela, de como ele se dispôs ao risco para ajudá-la. Ironicamente, os acontecimentos posteriores não permitiram que ela viesse a conhecer o desfecho do julgamento e nem mesmo o destino final do doutor Peres.
A enfermeira iniciou a ultra-sonografia, encostando o gelado aparelho na barriga de Helena, que apertou com mais força a mão de Jonathan, ambos olhando fixamente para o monitor onde surgiam as primeiras imagens de seu filho.
Ao término do exame a enfermeira levantou-se e encaminhou-se até o médico responsável. A distância não permitia que Helena e Jonathan ouvissem o que diziam, aumentando ainda mais sua apreensão.
Apesar de saberem que ainda não era o fim e que ainda restaria uma avaliação antes da certeza de que teriam uma família saudável, não puderam conter a emoção quando o médico responsável se aproximou e anunciou o resultado. Helena abraçou Jonathan fortemente e disse, não podendo conter as lágrimas:     
- Conseguimos, meu amor! Conseguimos!


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