Lutar não só por vingança, mas sim por
um ideal maior, a salvação de um planeta e de toda uma raça, que apesar das
limitações se mostrara capaz de seguir em frente e evoluir com ele, em uma
simbiose saudável, rendera a Jonathan e Giovanni um novo fôlego para, enfim,
trabalhar nos consertos do caça Delta, que seria sua única chance contra os
futuros invasores. Com o pouco tempo restante até o ataque, mas suficiente para
a conclusão do pouco trabalho que ainda era necessário, os viajantes do espaço
prosseguiram motivados e também auxiliados pelos amigos Dió e Xeren que, não só
por sua natural boa vontade em ajudar, mas também pela perspectiva heróica com
que viam os dois guerreiros buscando a salvação do planeta, se mostraram
prestativos e determinados a fazer com que a nave não só fosse funcional como
também fosse considerada uma obra prima.
Além de auxiliar nos reparos
necessários na fuselagem, Dió e Xeren se encarregaram de dar a ela uma nova estética.
Mantiveram a cor púrpura, original da nave, mas acrescentaram novos tons em
degrade metálico e cromado. Dispuseram também alguns decalques, que expressavam,
muito bem, a idéia de velocidade, sobre as asas, dando lhe uma aparência mais
dinâmica, moderna e até um pouco psicodélica. Por fim, em perfeita harmonia com
os decalques, pintaram duas palavras, uma sobre cada asa, batizando a nave.
- Queremos ir com vocês. – Anunciou Xeren,
enquanto trabalhava junto a Jonathan e Giovanni.
- Não posso permitir. – Respondeu
Jonathan, automaticamente deixando de lado o semblante alegre e descontraído e
assumindo uma feição séria e responsável. – A missão será muito arriscada. Não
há a menor certeza de que voltaremos vivos.
- É nosso planeta também, é justo que
lutemos por ele. – Retrucou Xeren. O assunto já havia sido muito discutido
entre ele e Dió e sua decisão dificilmente seria mudada.
- Não somos a favor da violência, mas
viajar pelo espaço seria muito louco, cara. – Complementou Dió.
Nem mesmo Jonathan pôde resistir ao
cômico comentário de Dió, sendo forçado a sorrir. Giovanni, já convencido,
encerrou a conversa.
- Deixe-os ir conosco. Assim como nós,
eles não têm nada a perder. Se a missão falhar, seu destino, aqui ou lá, será o
mesmo, mas lá ao menos podem lutar por um ideal. Eles têm mais motivos do que
nós, pra isso.
Giovanni demonstrou entusiasmo maior
do que todos os outros empenhados no conserto, durante todo o trabalho na nave.
Estar ocupado lhe servia como distração, afastando-o das mágoas que carregava
pela perda dos amigos e da mulher que amava, por isso não se limitou apenas aos
simples reparos previstos, como também palpitou e auxiliou como pôde na pintura
da fuselagem, na limpeza detalhista do interior e também na instalação de
caixas de som e um bom toca fitas, tecnologia inferior a que outrora tiveram
acesso, mas a melhor que podiam dispor naquele ponto do tempo. Aparentemente,
Giovanni desenvolveu um carinho especial pelo caça Delta que antes pertencera à
amiga Jakeline Jakarta, e numa manhã ensolarada, as vésperas do ataque,
enquanto encerava e lustrava a novíssima fuselagem, iniciou uma conversa com
Jonathan cujo desfecho esperava ser um só.
- Eu quero comandar essa nave, Jat!
- Como assim você comanda? – Jonathan
não estranhou a iniciativa do amigo, mas mesmo entendendo sua posição resolveu
tirar um sarro. – Você nunca comandou nem sua própria vida. Além do mais, sou
muito melhor combatente do que você.
Começaram então uma discussão entre os
amigos, mas uma intriguinha amistosa, daquelas que não visa ofender, mas sim
sacanear um ao outro.
- Melhor combatente que eu? – Giovanni
riu ironicamente. – Eu sou o melhor piloto da frota!
- Ah tá! Essa competição foi há dez
anos, isso nem vale mais nada.
- Nem adianta discutir. Você já teve a
sua Creedence. – E passando a mão carinhosamente sobre as letras recém pintadas
sobre a fuselagem da nave, Giovanni encerrou o assunto. – A Deep Purple é minha!
...
O segredo foi mantido o quanto foi
possível, mas, não se sabe como ou através de quem, a história dos
extraterrestres e também da batalha pela salvação do planeta se espalhou
extremamente rápido, atingindo em menos de um dia toda a comunidade hippie.
Felizmente, ao contrário do que se previa, a notícia não gerou uma onda de caos
e total pavor.
A comunidade, que desde a chegada dos
dois forasteiros já especulava e imaginava as mais mirabolantes razões para sua
breve e repentina estadia ali, soube aceitar de maneira até bem tranqüila, sem
espanto ou agitação, a idéia de que Jonathan e Giovanni vieram do espaço. As
fofocas a respeito dos dois haviam tomado tal proporção que, apesar de terem
sempre sido muito bem tratados e respeitados por todos na comunidade, algumas
mães preferiram manter sues filhos distantes deles por suspeitarem de
vampirismo ou licantropia. Logo, aceitar que eram apenas ETs sem nenhuma
diferença física dos demais humanos e que, além disso, ainda lutariam pela
salvação desses, acabou se tornando algo fácil, trivial.
- Mas eles não são verdes e nem se transformam
em nada? – Chegou a perguntar uma mulher quando lhe foi contada uma das
inúmeras versões, encurtadas ou estendidas, que se espalharam sobre as viagens
dos visitantes do espaço. – Que sem graça!
Jonathan e Giovanni causaram uma boa
impressão nas pessoas da comunidade, sendo que enquanto realizavam os
preparativos finais para a partida, muitos dos que estiveram mais próximos a
eles durante os últimos meses, visitaram o celeiro para agradecê-los e
desejar-lhes boa sorte. Alguns trouxeram até amuletos como uma figa, um
pentagrama, o símbolo da paz e uma imagem de Jesus, que foram todos carinhosamente
afixados sobre o painel do Delta. Mas o mais emocionante para Jonathan e
Giovanni, levando-os até a derramar algumas lágrimas, foi ver a massa de
pessoas que seguiu a nave em procissão, do celeiro até o campo, de propriedade
militar, onde haviam pousado quando chegaram e de onde partiriam. Praticamente
todos os membros da comunidade se reuniram em torno da nave para uma calorosa
despedida e também para assistir a um evento único, que nenhuma outra pessoa no
mundo teria oportunidade de ver. A partida dos extraterrestres em sua nave
espacial.
- Xeren! – Ágata gritou, brotando do
meio da multidão e correndo para os braços do namorado. – Não vá! Por favor,
fique comigo!
Mas Xeren, após abraçá-la ternamente, enxugou
delicadamente suas lágrimas e, com o ar mais heróico e orgulhoso de si que pôde
manifestar, beijou-lhe a testa e proclamou.
- É meu dever salvar você e o planeta
em que nossos filhos viverão!
Naquele momento Ágata sentiu que em
todo o universo não encontraria homem mais corajoso que seu namorado, então
segurou forte em seu colarinho, ficou na ponta dos pés e beijou-lhe os lábios
da maneira mais amorosa que seria capaz.
Jonathan e Giovanni, mesmo alegres ao
contemplar tal cena, não puderam evitar pensar em Helena e Mercedes, e em como
gostariam que estivessem vivas e lutando ao seu lado.
Os quatro tripulantes, Jonathan,
Giovanni, Dió e Xeren, acomodaram-se em seus lugares no cockpit do caça Delta e
acenaram para a platéia que os assistia. Com uma salva de palmas da comunidade,
acionaram os motores e fecharam a cabine. O altíssimo barulho dos propulsores
praticamente anulava os gritou eufóricos da legião de hippies que acompanhava
atenciosamente o subir lento e gracioso da nave.
- Aumentando propulsão. – Anunciou
Giovanni, ao alcançarem altitude suficiente para dar maior potência nos motores
e assim subir em maior velocidade. – Levante os escudos, Jat.
- Mas já, irmãozinho? Nem saímos da
atmosfera da Terra ainda. – Questionou Jonathan.
- Não quero estragar a pintura. –
Sorriu Giovanni.
Dió e Xeren observavam, atônitos, a
massa de gente se distanciando da nave à medida que subiam. Quanto mais altura
ganhavam, mais forte eles seguravam na lateral de seus acentos. O céu então
deixou de ser azul, transformando-se em um negrume tão intenso que era possível
distinguir o brilho de cada estrela disposta em sua imensidão. A quantidade de
brilhantes estrelas que viram ao sair da atmosfera da Terra foi tamanha que nenhuma
noite do interior poderia ter proporcionado ou vir a proporcionar em toda sua
vida. O medo então abriu espaço para a admiração e, boquiabertos, em uníssono,
Dió e Xeren proclamaram:
- Que brisa, cara!
...
O tédio tomou conta dos quatro
tripulantes da Deep Purple durante as longas horas em que estiveram parados no
espaço, esperando pela chegada da Sigma. Dió e Xeren chegaram até mesmo a pegar
no sono, mas Jonathan e Giovanni continuaram atentos, mesmo enfadados com a
demora. Para seu consolo, o novíssimo toca-fitas instalado recentemente estava
funcionando perfeitamente e, apesar do chiadinho característico da tecnologia,
o som da banda que dava nome a nave cumpria muito bem seu papel, distraindo os
dois vingadores do desconfortável marasmo. Ouviam Deep Purple, em homenagem a
estréia da nova roupagem da nave, e foi exatamente enquanto Ian Gillan recitava
o famoso refrão “Smoke on the water... fire in the sky”, que um pequeno ponto
de luz arroxeada surgiu em meio ao espaço, expandindo-se gradativamente até se
tornar uma enorme nebulosa roxa em meio às estrelas.
De trás daquele borrão de luz roxa foi
deslizando lentamente, como se de trás de uma cortina, o imponente Cruzador Espacial
Sigma.
No diminuto caça Delta, Giovanni e
Jonathan assistiam a magnífica chegada da Sigma. Posicionando-se defronte a
ela, se preparavam para o, agora inevitável, confronto. Giovanni parou por um
instante a música, fazendo com que Dió e Xeren despertassem assustados.
- Hã? Quê?
- O que está acontecendo? Caramba, a
nave deles é enorme!
Giovanni e Jonathan riram do espanto
dos amigos.
- Somos mais rápidos e mais
experientes. – Disse Jonathan, confiante. – Eles não têm chance!
- Sabe que eu sempre quis destruir a
Sigma? – Continuou Giovanni, agora acelerando a rotação do toca-fitas para
alcançar a música desejada. Parou assim que ouviu o início da canção Space
Truckin. – Come on, let´s go space truckin´!
Antes mesmo que a Sigma tivesse
adentrado completamente o campo de batalha, a Deep Purple partiu pra cima dela,
em alta velocidade e atirando incessantemente. Os tripulantes da Sigma foram tão
completamente surpreendidos com o ataque que nem mesmo tiveram tempo de
levantar os escudos da nave.
A Sigma prosseguiu em trajetória
retilínea e extremamente lenta, em comparação com a velocidade do aerodinâmico
caça Delta que atirava sem parar, até que estivesse completamente livre da
nuvem arroxeada que a trouxera até ali. Sua fuselagem já exibia as pequenas
avarias causadas pelos tiros.
Ao perceberem o ataque contínuo do
Delta, os tripulantes da Sigma tentaram iniciar um contra-ataque, usando todos
os canhões disponíveis para atirar contra a Deep Purple, mas o tamanho e
velocidade do caça dificultavam muito a precisão dos atiradores.
A Deep Purple prosseguia intacta,
desviando ligeiramente dos vários tiros emitidos pela Sigma. A habilidade de
Giovanni como piloto, de fato, podia ser invejada por qualquer combatente da
Estação 2000. Os tiros passavam a centímetros da fuselagem do Delta, mas,
incrivelmente, nem sequer relavam o escudo da nave.
- Segura Peão! – Gritou ele ao
realizar uma manobra em loop e desviando de um dos vários tiros que não os
acertou por pouco. A frase ouvida em um rodeio durante o tempo em que esteve na
Terra lhe parecia perfeita para aquele momento de manobras intensas, giros e
chacoalhões.
- Irra! – Acompanhou Xeren, movido
pela adrenalina, quando viu as asas da nave girarem trezentos e sessenta graus
em torno do cockpit. – Yahoo!
Dió parecia estar em pânico total.
Seus olhos lacrimejavam e ele segurava o próprio acento com toda sua força. Não
era capaz de dizer uma só palavra, porque mantinha seus dentes cerrados e
travados.
Jonathan permanecia focado em mirar e
atirar, sempre acertando, mesmo com as várias e rápidas mudanças de posição da
nave, precisamente o alvo. Não dizia nada em voz alta, mas resmungava para si
mesmo, às vezes proferindo certos palavrões, quando perdia o foco da nave
inimiga por conseqüência de alguma manobra evasiva de Giovanni.
- Você quer parar quieto, pelo menos por
um segundo! – Ele perdeu a paciência.
- Vem você desviar desses tiros! –
Respondeu Giovanni ironicamente, enquanto puxava com força o manche contra o
corpo e o girava para a esquerda. – Ah!
- Já está renunciando o posto,
comandante?
- Você é um filho da mãe mesmo! –
Giovanni olhou para o amigo, balançando a cabeça em sinal de negação, descrente
que mesmo naquela situação ele ainda era capaz de fazer piadinhas.
- Ah irmãozinho... – Jonathan
retribuiu o olhar de Giovanni com um sorriso sacana. – Relaxa!
- Merda! – Praguejou Giovanni, ao ser
surpreendido com o forte tremor causado por um tiro, que acertara seu escudo
durante o curto período de distração.
Dió começou a tremer.
- O que foi isso? Nós vamos morrer!
Os outros três só riram, e a nave
mergulhou em queda livre, se é que se pode dizer isso sobre um movimento
realizado no vácuo do espaço, desviando de um torpedo atirado displicentemente
contra eles.
- Eles parecem estar desnorteados,
irmão. – Percebeu Jonathan, surpreendendo-se com a inexperiência em combates
que os inimigos apresentavam. – Nem sequer estão mirando os torpedos.
De fato, apesar do altíssimo
desenvolvimento intelectual dos habitantes da Estação 3000, sua experiência
prática em combates era nula. Tendo em vista que as naves de sua frota há muito
tempo não eram mais capazes de voar, o aperfeiçoamento de suas técnicas de
combate no espaço se tornou inviável. Assim, os pobres invasores só podiam
contar mesmo com o poderio de fogo do cruzador, pois como combatentes se
mostravam precipitados e descuidados, de modo que nem os escudos da nave
chegaram a levantar.
- Vamos lançar a ogiva e acabar logo
com isso. – Sugeriu Giovanni. – Essa briga tá no papo!
- Precisamos diminuir a velocidade
para travar a mira. Será que você consegue isso sem levarmos tiros?
Giovanni riu.
- Vou me distanciar e tentar me
posicionar abaixo deles. Atiramos debaixo pra cima e eles não vão nem ver o que
os atingiu!
Ainda atirando sem pausa, a Deep
Purple foi, ao mesmo tempo em que desviava, com loops e giros de asas, dos
tiros da Sigma, se distanciando da nave e descendo para se posicionar
exatamente embaixo dela, onde sua mira seria privilegiada e o poder de fogo
inimigo praticamente neutralizado.
Travando mira. – Anunciou Jonathan. Já
era possível pra ele ver o círculo que, antes vermelho, tornara-se verde, ao
ser posicionado sobre a representação da Sigma em seu display.
Longe da ofensiva inimiga e com a mira
travada no alvo, a vitória sobre a Sigma já era assumida como certeza pelos
tripulantes da Deep Purple.
Jonathan já se preparava para pressionar
o gatilho quando, de repente, sentiu-se como se uma onda o tivesse atingido. Não
houve trepidação ou choque contra a nave, toda a agitação ocorreu dentro da
mente dos tripulantes do Delta e, instantaneamente, seus corpos pararam de
obedecer aos comandos de seus cérebros. Eram capazes de enxergar e ouvir tudo
ao seu redor, mas já não podiam se mover os falar.
Lentamente, a Sigma se moveu até se
posicionar exatamente de frente para a Deep Purple. Os tripulantes do caça só
puderam acompanhar seu movimento sem a menor chance de reagir e, assim que a
enorme nave impôs-se a sua frente, ouviram uma voz grave chamar-lhes pelo
rádio.
- Esta é uma demonstração da
consciência única. Mentes superiores unidas para controlar as mentes
inferiores.
Jonathan se revoltava com a situação.
Queria responder, agredir o inimigo, mas continuava totalmente paralisado.
Giovanni olhava confuso para o amigo, buscando compreender o que estava
ocorrendo. Na fisionomia de Dió e Xeren era possível perceber o terror que os
assolava.
Jonathan de Giovanni repararam no
alerta amarelo, piscando em seu display. Sabiam que os invasores tentavam
travar sua mira neles e desesperavam-se com a sensação de impotência diante
daquela situação.
- Puseram-se a nossa frente no caminho
rumo à dominação da Terra, agora vamos exterminá-los assim como fizemos com o
cargueiro. – Dizia a voz vinda do radio. – Uma ogiva deve bastar e ainda
restarão duas para a dominação do planeta.
Vendo que o alerta no display tornara-se
vermelho, perceberam que o ataque era inevitável. A Deep Purple foi atingida
por dois torpedos sequenciais que, com um fortíssimo tremor, derrubou seus
escudos.
A esperança pela vitória se esvaiu do
coração de Jonathan e Giovanni. Á poucos minutos estava a um passo de destruir
a Sigma e agora a derrota era iminente. Dió e Xeren, já assumindo a morte como
certa, recitavam preces em suas mentes.
O alerta vermelho piscando novamente
no display vinha anunciar o breve lançamento da ogiva. Jonathan lembrou-se de
Helena. Lembrou-se também do bebê que ela carregava em seu ventre. Seu filho, o
fruto de seu amor. Não conseguira vingá-los e sentia como se toda sua
existência não fizesse nenhum sentido. Em breve se encontraria com Helena e
sentiria vergonha em sua presença.
- Sentiram a nossa falta? – Jonathan,
bem como os outros tripulantes da Deep Purple, ouviu uma voz feminina ser
transmitida pelo rádio.
Recuperando seus sentidos,
acompanharam a chegada da Creedence, que deslizava detrás de uma nuvem roxa, se
aproximando furtivamente e atirando contra a Sigma.
- São as garotas! – Exclamou Giovanni,
maravilhado com a ótima notícia.
- Como é possível? – Jonathan, boquiaberto, sentia a
alegria voltando a preencher seu ser. Já não era capaz de conter as lágrimas,
que escorriam abundantemente pelo seu rosto. – É um milagre!
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