- Nossa mente superior jamais poderá
ser derrotada por uma espécie tão primitiva. Habitantes da Estação 3000,
iniciem o exercício de concentração. – Foi o que ouviram os tripulantes da
Sigma, através do rádio.
Quase que simultaneamente, todos
aqueles franzinos e cabeçudos seres pararam suas atividades, fecharam seus
olhos e iniciaram uma espécie de meditação silenciosa. O alto poder de concentração
daquela evoluída espécie permitia que interconectassem suas mentes, ampliando
seu poder cognitivo e permitindo que exercessem controle sobre mentes menos
desenvolvidas. Sozinho, cada habitante da Estação 3000 era capaz de impor
determinado comportamento a alguns animais e até sentir a presença de um
semelhante, mas juntos, no que eles mesmos denominavam consciência única, seu
poder alcançava níveis extraordinários
Aquele que ocupava o posto de
comandante da Sigma abriu seus olhos lentamente, e foi seguido por cada um dos
outros tripulantes. Já obtinham absoluto controle sobre as mentes de Jonathan,
Giovanni, Dió e Xeren, que, sem a menor idéia do que lhes estava acontecendo,
foram totalmente imobilizados.
- Iniciar manobra. Desçam e nos ponham
de frente para eles. – Ordenou o comandante. Sem hesitar, os subordinados logo estavam
movendo a Sigma para frente a frente com a Deep Purple. – Preparem as ogivas. –
Continuou, e prontamente um dos tripulantes se levantou e se encaminhou ao deck
onde as ogivas estiveram armazenadas.
Aproveitando-se da situação imponente
e desafiadora que a poderosa Sigma impunha sobre a pequena e vulnerável Deep
Purple, seu comandante decidiu torturar ainda mais seus inimigos, explorando
sua desagradável sensação de impotência, enquanto expunha, cruelmente, seus
planos.
- Esta é uma demonstração da
consciência única. Mentes superiores unidas para controlar as mentes
inferiores. – Aquele ser, pertencente à raça que se auto-intitulava isenta de
emoções, sentia orgulho do poder que agora exercia sobre os primitivos seres
humanos. – Se puseram a nossa frente no caminho rumo à dominação da Terra,
agora vamos exterminá-los, assim como fizemos com o cargueiro. – Em sua voz
grave era possível notar o prazer e excitação com que dizia aquelas palavras. Prazer
esse, que era compartilhado por cada um dos habitantes da Estação 3000,
interligados através da consciência única. – Uma ogiva deve bastar e ainda
restarão duas para a dominação do planeta.
- Já os temos na mira. – Reportou o
tripulante responsável pelas armas. O comandante então ordenou o lançamento dos
dois torpedos, que atingiram certeiramente o pequeno caça, derrubando seus
escudos.
O placar fora revertido. A Deep
Purple, que, com seu ataque surpresa, iniciou o combate na dianteira, agora
estava à beira da derrota. A mente dominava o corpo, o intelecto subjugava o
físico. A vitória sobre os medíocres seres humanos vinha para reafirmar a
superioridade daquela nova espécie, e os tripulantes da Sigma se regozijavam
com essa idéia.
Foi durante esse momento de sublime
prazer, que o tripulante responsabilizado por preparar as ogivas retornou a
sala de comando, com uma expressão que transparecia desapontamento e medo, por
trás dos seus gigantescos olhos escuros e vítreos, mas não teve tempo de
anunciar a aterradora notícia que trazia.
Instantaneamente após a entrada do
atormentado tripulante na sala de comando, uma pesada sensação de desolação
abateu a todos os que ocupavam a Sigma. Algo, que ainda não podiam compreender,
havia acontecido e eles já não eram mais capazes de sentir seus semelhantes que
permaneceram na Estação 3000. A Estação 3000 havia sido destruída.
Distraídos pela repentina desconexão
mental, a tripulação da Sigma não reparou na aproximação da Creedence, que
deslizando detrás da nebulosa roxa que se formara na retaguarda do cruzador, o
atingiu com quatro torpedos seqüenciais, deteriorando consideravelmente sua
desprotegida fuselagem.
A certeza da vitória havia se
dissipado e, em seu lugar, só surgiram inúmeras dúvidas. Ainda abalados, os
tripulantes da Sigma se agitavam, eufóricos em busca de explicações.
- O que foi isso?
- De onde essa nave surgiu?
- Que sensação é essa?
O comandante, assumindo a
responsabilidade por confortar sua tripulação, tentava inutilmente explicar algo
que ele mesmo não compreendia.
- Fomos apenas atacados. – Disse, sem
nem mesmo saber quem os atacara. – Sinto que algo ruim aconteceu com a Estação
3000, mas não podemos perder o controle.
- Comandante. – Chamou-o o tripulante
antes responsabilizado por preparar as ogivas. Recuperando-se gradualmente do
choque, agora lembrava-se da informação que viera anunciar. – As ogivas
desapareceram.
A notícia veio como um soco no
estômago do comandante. Como isso podia ser possível? Em um instante ele tinha
a vitória nas mãos e, de repente, todas suas certezas pareciam ter
desaparecido. Pela primeira vez em sua vida, sua razão não lhe fornecia
respostas. Sentia-se completamente perdido.
- Estamos sozinhos agora. – Olhando
para o chão, ele inspirava com força. As fendas que lhe serviam de narinas se
dilatavam visivelmente. – Estamos por nossa conta. – Reassumindo o controle de
suas emoções, ele levantou a cabeça e, em alto tom, ordenou a tripulação. –
Levantem os escudos e preparem-se para lutar.
...
Recobrando os sentidos, mas ainda um
pouco atordoados, os tripulantes da Deep Purple iniciaram manobra evasiva,
fugindo da linha de tiro da Sigma e flanqueando-a juntamente com a Creedence.
- Ufa... Nós ainda estamos vivos! –
Respirou Xeren, aliviado.
- Nunca devíamos ter vindo! –
Choramingou Dió, com os olhos mareados. – Isso é suicídio, cara!
Jonathan e Giovanni sorriam, não só
por acharem a atitude dos amigos engraçada, mas também por terem agora uma nova
chance de vencer. As garotas estavam vivas e a sua ajuda os punha em vantagem
contra a poderosa Sigma.
Juntas, a Deep Purple e a Creedence,
atingiam, certeiramente, a desprotegida fuselagem do inimigo, mas assim que
seus escudos se levantaram a Sigma pareceu renovar suas forças, tomando um novo
fôlego para a batalha.
O cruzador manobrou rapidamente,
tentando afastar-se das duas naves que a perseguiam. Por ser muito grande, não
era capaz de mover-se com agilidade suficiente para desviar dos tiros, mas seus
escudos garantiam a proteção necessária para que, com um contra-ataque efetivo,
pudesse dissuadir o ataque das naves inimigas.
Mesmo estando em vantagem com relação
à quantidade, a Creedence e a Deep Purple não estavam tendo oportunidade de
atacar de maneira eficaz. Ambas as naves estavam sem seus escudos, a Deep Purple
perdera o seu recentemente, quando atacada pela Sigma, e o da Creedence fora
derrubado, ainda na batalha contra Adolf Stolz, e não fora restabelecido. Dessa
forma eram obrigados a desviar constantemente do ataque da Sigma, que agora
mirava precisamente seus alvos e não mais atirava displicentemente como antes.
- Precisamos de uma estratégia urgente!
– Chamou Giovanni pelo rádio. No comando da Deep Purple, puxava e virava o
manche de um lado para o outro, esforçando-se para esquivar-se dos tiros.
- Parece que eles aprenderam a lutar
de repente. – Complementou Jonathan, que continuava a atirar inutilmente contra
o escudo da Sigma.
A Deep Purple, por ser muito menor do
que a Sigma, conseguia manobrar muito rapidamente e desviar da maioria dos
tiros, mas a Creedence, mesmo que menor do que a Sigma, ainda era grande demais
para efetuar manobras tão ágeis, ficando a mercê do ataque.
- Concordo plenamente. – Respondeu
Helena, que fazia o possível, no comando da nave. O cargueiro trepidava e as
luzes da cabine piscavam a cada vez que era atingido. – Se continuar assim vamos
acabar morrendo de verdade.
- Morrer? Eu sabia, nós vamos morrer!
– Desesperou-se Dió.
- Cala a boca Dió! – Recitaram em
uníssono os três ocupantes da Deep Purple, e Jonathan complementou. – Você ta atraindo
o azar, cara!
Dió baixou a cabeça e enxugou os
olhos, embaraçado com a repentina repreensão dos amigos.
- Foi mau, galera. – Ele se desculpou,
fungando demoradamente. – Mas você num precisavam ter gritado todos juntos. Foi
meio rude.
“Todos juntos”. A expressão passou
pela mente de Jonathan como um lampejo de criatividade.
- É isso! – Empolgou-se ele. – Estamos
na batalha juntos, mas agindo separados. Precisamos nos unir num ataque combinado.
- No que você está pensando, Jat? –
Questionou Giovanni, já se sentindo envolvido pelo otimismo do amigo.
Jonathan abriu a comunicação com a
Creedence e continuou, explanando seu plano.
- Creedence, vamos servir de escudo
pra vocês. Avançaremos em fila, juntos, em direção a Sigma, nós na frente, te
dando cobertura contra os tiros deles. Vocês vão mirar seus torpedos em nós e
atirar, quantos forem possíveis, assim que eu der o sinal.
Dió arregalou os olhos quando ouviu
Jonathan dizer que a Creedence deveria atirar contra eles, mas manteve-se
calado. O tom da voz de Jonathan transparecia confiança, mas Helena e Mercedes
ainda não conseguiam compreender qual era sua real intenção.
- Logo após dispararem os torpedos,
mergulhem em manobra evasiva. – Jonathan concluiu a apresentação de seu plano.
– Preparadas?
Helena concordou, mesmo que ainda em
dúvida, e as duas naves voaram juntas buscando distanciar-se do cruzador Sigma.
Já em uma zona segura, longe do ataque inimigo, as duas naves assumiram a
formação em fila.
- Não entendi bem o que você quer, mas
confio em você, irmão. – Incentivou Giovanni.
Xeren e Dió nunca haviam estado tão
tensos. Dió juntou a cabeça aos joelhos, querendo não ver o que estava pra
acontecer, e Xeren impressionava-se com o suor em suas mãos, firmemente
agarradas ao encosto do acento de Giovanni, à sua frente.
- Não se preocupe, Giovannito. –
Jonathan parecia mais otimista do que nunca. – Nós vamos vencer essa guerra.
Em formação, as duas naves aumentaram
a potência dos motores, antes de investir contra o inimigo.
- Que chiado chato é esse vindo da
nave de vocês? – Perguntou Mercedes, notando certa interferência, que distorcia
levemente a transmissão vinda da Deep Purple.
- Ah, eles chamam de toca-fitas, meu
amor. – Respondeu Giovanni, lembrando-se da música que continuou a tocar, mesmo
que ninguém mais prestasse atenção. Animou-se, então, em apresentar aquela
ultrapassada tecnologia. – Acredita que é totalmente analógico?
- Que horror! Vou mandar música de
verdade pra vocês. – Mercedes escolheu uma música e aumentou seu som,
permitindo que ela fosse transmitida nitidamente através do comunicador.
Quando Giovanni ouviu a introdução de
Back in Black, da banda AC/DC, logo começou a balançar a cabeça para cima e
para baixo sucessivamente, assentindo.
- Perfeito! – Disse ele, aumentando
ainda mais a potência dos motores e partindo diretamente em direção a Sigma.
As duas naves seguiram em alta
velocidade e em rota de colisão com a Sigma, que continuava a atirar
incessantemente. Jonathan também atirava, atingindo os escudos do inimigo e
muitas vezes interceptando seus tiros antes que esses os atingissem. A
Creedence seguia ilesa, protegida pela Deep Purple.
- Mira travada. – Anunciou Helena.
- Fogo! – Ordenou Jonathan.
Mercedes pressionou o gatilho sem
hesitação, e não o soltou até que a nave não fosse mais capaz de lançar
torpedos. A energia da Creedence, já baixa devido às sucessivas batalhas, só
foi suficiente para o lançamento de três torpedos.
Helena, assim como havia sido
combinado, empurrou o manche o mais longe de seu corpo possível, fazendo com
que a nave mergulhasse em evasão. Os três torpedos continuaram, retilineamente,
perseguindo a Deep Purple.
Enquanto se aproximavam, cada vez mais,
da nave inimiga, Jonathan cantava junto a Brian Johnson, parecendo não se
importar com o que acontecia ao seu redor.
- So look at
me now, I'm just makin' my pay… Don't try to push your luck, just get outta my
way… 'Cause I'm back!
Yes, I'm back!
Distanciando-se em alta velocidade do
foco da batalha, Helena e Mercedes puderam acompanhar, apreensivas, a
trajetória, aparentemente suicida, executada pela Deep Purple.
- Eles querem se lançar contra a
Sigma. – Deduziu Mercedes, pensando finalmente compreender a verdadeira
intenção de Jonathan. – Eles vão explodir juntos!
- Não vai funcionar. – Helena preocupava-se
com a atitude do seu amado. Será que Jonathan realmente pretendia se
sacrificar, e também os amigos, em prol da vitória? Se fosse essa sua intenção,
seria um sacrifício em vão. Ela sabia que os escudos da Sigma conteriam a
explosão da ogiva. – Não pode ser isso.
Faltando alguns poucos metros para a
colisão com os resistentes escudos do cruzador, Jonathan já não era capaz de
deter os incontáveis tiros que eram disparados contra eles. Muitos desses tiros
estavam agora acertando a frágil fuselagem da Deep Purple, e Giovanni começava
a desesperar-se, esforçando-se ao máximo para manter a estabilidade da nave.
- Jat, nós vamos explodir! – Gritou
ele quando o alerta de emergência começou a piscar em vermelho e apitar sobre o
painel de controle.
A sua frente estava a imponente Sigma,
protegida com seus intransponíveis escudos, e as suas costas três torpedos os
perseguiam. A Deep Purple estava às vésperas da aniquilação, quando Jonathan,
muito focado em seu plano inicial e ignorando qualquer sinal de perigo emitido
pela nave, ordenou:
- Manobra evasiva, agora!
Giovanni virou o manche para a
esquerda com toda sua força, e o aerodinâmico caça Delta, girando
sucessivamente suas asas 360 graus em torno do cockpit, rolou para fora da
trajetória dos torpedos, deixando o caminho livre para que atingissem em cheio
os escudos da Sigma. O impacto daqueles três torpedos foi tão violento que, com
um forte tremor, derrubou os poderosos escudos do cruzador.
- Conseguimos! – Gritou Jonathan,
emocionado.
- Fantástico! – Empolgou-se Mercedes.
- Vocês estão bem? – Perguntou Helena,
ainda preocupada.
- Melhor impossível! – Reportou
Giovanni.
Dió e Xeren mal podiam falar. Estavam chocados
com a manobra, arriscadíssima, que haviam acabado de executar.
Com os escudos da Sigma desativados, a
vantagem voltara para as mãos dos defensores da Terra. O caminho estava
novamente aberto para o lançamento da ogiva que finalmente acabaria com essa
batalha. Porém, a Deep Purple se encontrava muito avariada, tornando a
necessidade de se aproximar da Sigma, para enfim disparar a ogiva, algo excepcionalmente
arriscado. Mais uma vez teriam de agir em conjunto para alcançar seu objetivo,
e dessa forma a Creedence partiu para cima da Sigma, buscando atrair a atenção
dos inimigos para si, enquanto a Deep Purple permaneceu distante, esperando o
melhor momento para investir.
O embate era um fogo cruzado, onde
cada uma das naves, já um tanto avariadas, tentava, como podia, atacar e ao
mesmo tempo se esquivar dos tiros incessantes emitidos pelo adversário. Assim
como nos combates entre antigos navios de guerra, as grandes proporções de
ambas as naves não permitiam a agilidade suficiente para escapar da massacrante
rajada dos canhões, sendo assim, permaneciam perseguindo e cercando uma a outra,
até que a mais fraca viesse a sucumbir.
Aproveitando-se do descuido
adversário, a Deep Purple aproximou-se sorrateiramente por baixo da Sigma, onde
sua área de mira era ampla, o alcance do poder de fogo inimigo era reduzido e a
sua capacidade de defesa praticamente nula. Estando a uma distância onde sua
precisão era plena, a Deep Purple disparou sua ogiva.
A tripulação da Sigma percebeu tarde
demais a aproximação do pequeno caça Delta. Logo após uma repentina manobra
evasiva da Creedence, que a distanciou em alta velocidade do foco da batalha, o
alerta vermelho, piscando no painel de comando do cruzador, veio avisar sobre
sua iminente destruição.
Não havia mais tempo hábil para
evasão. A extinção daquela nova e evoluída espécie, agora, era uma certeza.
Contemplando a aproximação do míssil, o comandante da Sigma largou-se em seu
acento e ponderou sobre a motivação de seus algozes.
Por que defender um planeta que não é o
seu? Por que arriscar a vida por desconhecidos? O que motiva os seres humanos?
O que os torna tão obstinados? Que força
é essa que os interliga a ponto de movê-los ao encontro da morte,
revigorando-os quando essa vem em prol de seus semelhantes?
As respostas para essas perguntas ele
jamais obteria. Sua infinita racionalidade era incapaz de compreender que o que
realmente diferencia os seres humanos de qualquer outra espécie neste vasto
universo é a capacidade de sentir.
...
Uma multidão de pessoas, integrantes
da comunidade hippie, esperava, apreensiva, o retorno de seus heróis.
Assustaram-se consideravelmente quando avistaram uma nave em forma de disco,
muito maior do que a que assistiram partir, aproximar-se lentamente do solo.
- Eles foram derrotados! –
Desesperou-se Ágata, já caindo em prantos. – Os Aliens vão dominar a Terra!
Mas ao avistarem a Deep Purple,
descendo logo em seguida da Creedence, a tensão se aliviou, transformando-se
num surto repentino de alegria. Com gritos, palmas e louvores foram saldados,
de volta, os salvadores do planeta.
Quando as naves foram abertas e delas
saíram seus tripulantes, uma verdadeira onda de pessoas correu ao seu encontro,
abraçando e agradecendo-os. A primeira a investir foi Ágata, que, não se
contendo ao vê-los vivos e saudáveis, abraçou Xeren com toda sua força,
tirando-lhe o fôlego. A família de Dió também se amontoou ao seu redor,
enchendo-o de perguntas, que ele teve prazer em, não somente responder, como
também enfeitar suas respostas, colocando-o como um dos mais corajosos
participantes da missão.
Jonathan e Giovanni apenas
desvencilharam-se das tantas pessoas que os agarravam e queriam, a todo custo,
ter a chance de ao menos tocá-los. Sua intenção não era ser rude com aquelas
pessoas que tanto os admiravam, mas, depois de tanto tempo separados, o que
queriam, mais do que tudo, era estar perto de suas amadas.
O abraço afetuoso foi seguido por um
demorado beijo. Helena estava viva e Jonathan não era capaz de se lembrar de um
momento em que estivera mais feliz. Quando seus lábios finalmente se
desprenderam, Helena, olhando nos olhos de Jonathan, chamou sua atenção para
algo que, até então, não havia passado por sua mente.
- O Cronos foi destruído junto com a
Estação 3000, não podemos mais voltar pra casa.
Jonathan olhou para todas aquelas
pessoas, festejando acolhedoramente seu retorno, e, voltando-se novamente para
Helena, respondeu-a, acariciando seu rosto:
- A Terra será nossa casa agora, meu
amor.
Em meio ao pacífico e convidativo
ambiente da fazenda, em vinte e seis de dezembro de mil novecentos e oitenta e
cinco, nasceu Jonathan A. Trust Junior, e seu pai, sentindo-se orgulhoso,
acompanhou sua mãe durante todo o trabalho de parto.
Quando Helena ouviu pela primeira vez
o choro do bebê, lembrou-se do Doutor Peres e de como ele havia sido bom pra
ela, aceitando acompanhar sua gravidez e auxiliar para que tudo corresse bem. Quando
finalmente pôde segurar a criança, fitou-a demoradamente, como se quisesse
estampar em sua memória cada detalhe daquele pequeno ser. Finalmente, olhou,
com os olhos mareados, para Jonathan, que sorria, também emocionado, e disse:
- Meu filho é perfeito!
Ela jamais conheceria o resultado do
julgamento ou teria qualquer notícia sobre o amigo Phillip Peres, mas iria
rezar por ele durante todo o resto de sua vida, grata por sua generosidade.
Mercedes e Giovanni foram os padrinhos
do pequeno Jat Junior e, enquanto seguravam o bebê durante a cerimônia,
Mercedes mal podia conter a ansiedade, sentida pela vinda de seu próprio
rebento, que já aguardava em seu ventre.
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