quarta-feira, 21 de novembro de 2012

Capítulo 12 – Um Novo Começo


- Nossa mente superior jamais poderá ser derrotada por uma espécie tão primitiva. Habitantes da Estação 3000, iniciem o exercício de concentração. – Foi o que ouviram os tripulantes da Sigma, através do rádio.
Quase que simultaneamente, todos aqueles franzinos e cabeçudos seres pararam suas atividades, fecharam seus olhos e iniciaram uma espécie de meditação silenciosa. O alto poder de concentração daquela evoluída espécie permitia que interconectassem suas mentes, ampliando seu poder cognitivo e permitindo que exercessem controle sobre mentes menos desenvolvidas. Sozinho, cada habitante da Estação 3000 era capaz de impor determinado comportamento a alguns animais e até sentir a presença de um semelhante, mas juntos, no que eles mesmos denominavam consciência única, seu poder alcançava níveis extraordinários
Aquele que ocupava o posto de comandante da Sigma abriu seus olhos lentamente, e foi seguido por cada um dos outros tripulantes. Já obtinham absoluto controle sobre as mentes de Jonathan, Giovanni, Dió e Xeren, que, sem a menor idéia do que lhes estava acontecendo, foram totalmente imobilizados.
- Iniciar manobra. Desçam e nos ponham de frente para eles. – Ordenou o comandante. Sem hesitar, os subordinados logo estavam movendo a Sigma para frente a frente com a Deep Purple. – Preparem as ogivas. – Continuou, e prontamente um dos tripulantes se levantou e se encaminhou ao deck onde as ogivas estiveram armazenadas.
Aproveitando-se da situação imponente e desafiadora que a poderosa Sigma impunha sobre a pequena e vulnerável Deep Purple, seu comandante decidiu torturar ainda mais seus inimigos, explorando sua desagradável sensação de impotência, enquanto expunha, cruelmente, seus planos.
- Esta é uma demonstração da consciência única. Mentes superiores unidas para controlar as mentes inferiores. – Aquele ser, pertencente à raça que se auto-intitulava isenta de emoções, sentia orgulho do poder que agora exercia sobre os primitivos seres humanos. – Se puseram a nossa frente no caminho rumo à dominação da Terra, agora vamos exterminá-los, assim como fizemos com o cargueiro. – Em sua voz grave era possível notar o prazer e excitação com que dizia aquelas palavras. Prazer esse, que era compartilhado por cada um dos habitantes da Estação 3000, interligados através da consciência única. – Uma ogiva deve bastar e ainda restarão duas para a dominação do planeta.
- Já os temos na mira. – Reportou o tripulante responsável pelas armas. O comandante então ordenou o lançamento dos dois torpedos, que atingiram certeiramente o pequeno caça, derrubando seus escudos.

O placar fora revertido. A Deep Purple, que, com seu ataque surpresa, iniciou o combate na dianteira, agora estava à beira da derrota. A mente dominava o corpo, o intelecto subjugava o físico. A vitória sobre os medíocres seres humanos vinha para reafirmar a superioridade daquela nova espécie, e os tripulantes da Sigma se regozijavam com essa idéia.
Foi durante esse momento de sublime prazer, que o tripulante responsabilizado por preparar as ogivas retornou a sala de comando, com uma expressão que transparecia desapontamento e medo, por trás dos seus gigantescos olhos escuros e vítreos, mas não teve tempo de anunciar a aterradora notícia que trazia.
Instantaneamente após a entrada do atormentado tripulante na sala de comando, uma pesada sensação de desolação abateu a todos os que ocupavam a Sigma. Algo, que ainda não podiam compreender, havia acontecido e eles já não eram mais capazes de sentir seus semelhantes que permaneceram na Estação 3000. A Estação 3000 havia sido destruída.

Distraídos pela repentina desconexão mental, a tripulação da Sigma não reparou na aproximação da Creedence, que deslizando detrás da nebulosa roxa que se formara na retaguarda do cruzador, o atingiu com quatro torpedos seqüenciais, deteriorando consideravelmente sua desprotegida fuselagem.
A certeza da vitória havia se dissipado e, em seu lugar, só surgiram inúmeras dúvidas. Ainda abalados, os tripulantes da Sigma se agitavam, eufóricos em busca de explicações.
- O que foi isso?
- De onde essa nave surgiu?
- Que sensação é essa?
O comandante, assumindo a responsabilidade por confortar sua tripulação, tentava inutilmente explicar algo que ele mesmo não compreendia.
- Fomos apenas atacados. – Disse, sem nem mesmo saber quem os atacara. – Sinto que algo ruim aconteceu com a Estação 3000, mas não podemos perder o controle.
- Comandante. – Chamou-o o tripulante antes responsabilizado por preparar as ogivas. Recuperando-se gradualmente do choque, agora lembrava-se da informação que viera anunciar. – As ogivas desapareceram.
A notícia veio como um soco no estômago do comandante. Como isso podia ser possível? Em um instante ele tinha a vitória nas mãos e, de repente, todas suas certezas pareciam ter desaparecido. Pela primeira vez em sua vida, sua razão não lhe fornecia respostas. Sentia-se completamente perdido.
- Estamos sozinhos agora. – Olhando para o chão, ele inspirava com força. As fendas que lhe serviam de narinas se dilatavam visivelmente. – Estamos por nossa conta. – Reassumindo o controle de suas emoções, ele levantou a cabeça e, em alto tom, ordenou a tripulação. – Levantem os escudos e preparem-se para lutar.

...

Recobrando os sentidos, mas ainda um pouco atordoados, os tripulantes da Deep Purple iniciaram manobra evasiva, fugindo da linha de tiro da Sigma e flanqueando-a juntamente com a Creedence.
- Ufa... Nós ainda estamos vivos! – Respirou Xeren, aliviado.
- Nunca devíamos ter vindo! – Choramingou Dió, com os olhos mareados. – Isso é suicídio, cara!
Jonathan e Giovanni sorriam, não só por acharem a atitude dos amigos engraçada, mas também por terem agora uma nova chance de vencer. As garotas estavam vivas e a sua ajuda os punha em vantagem contra a poderosa Sigma.

Juntas, a Deep Purple e a Creedence, atingiam, certeiramente, a desprotegida fuselagem do inimigo, mas assim que seus escudos se levantaram a Sigma pareceu renovar suas forças, tomando um novo fôlego para a batalha.
O cruzador manobrou rapidamente, tentando afastar-se das duas naves que a perseguiam. Por ser muito grande, não era capaz de mover-se com agilidade suficiente para desviar dos tiros, mas seus escudos garantiam a proteção necessária para que, com um contra-ataque efetivo, pudesse dissuadir o ataque das naves inimigas.
Mesmo estando em vantagem com relação à quantidade, a Creedence e a Deep Purple não estavam tendo oportunidade de atacar de maneira eficaz. Ambas as naves estavam sem seus escudos, a Deep Purple perdera o seu recentemente, quando atacada pela Sigma, e o da Creedence fora derrubado, ainda na batalha contra Adolf Stolz, e não fora restabelecido. Dessa forma eram obrigados a desviar constantemente do ataque da Sigma, que agora mirava precisamente seus alvos e não mais atirava displicentemente como antes.
- Precisamos de uma estratégia urgente! – Chamou Giovanni pelo rádio. No comando da Deep Purple, puxava e virava o manche de um lado para o outro, esforçando-se para esquivar-se dos tiros.
- Parece que eles aprenderam a lutar de repente. – Complementou Jonathan, que continuava a atirar inutilmente contra o escudo da Sigma.
A Deep Purple, por ser muito menor do que a Sigma, conseguia manobrar muito rapidamente e desviar da maioria dos tiros, mas a Creedence, mesmo que menor do que a Sigma, ainda era grande demais para efetuar manobras tão ágeis, ficando a mercê do ataque.
- Concordo plenamente. – Respondeu Helena, que fazia o possível, no comando da nave. O cargueiro trepidava e as luzes da cabine piscavam a cada vez que era atingido. – Se continuar assim vamos acabar morrendo de verdade.
- Morrer? Eu sabia, nós vamos morrer! – Desesperou-se Dió.
- Cala a boca Dió! – Recitaram em uníssono os três ocupantes da Deep Purple, e Jonathan complementou. – Você ta atraindo o azar, cara!
Dió baixou a cabeça e enxugou os olhos, embaraçado com a repentina repreensão dos amigos.
- Foi mau, galera. – Ele se desculpou, fungando demoradamente. – Mas você num precisavam ter gritado todos juntos. Foi meio rude.
“Todos juntos”. A expressão passou pela mente de Jonathan como um lampejo de criatividade.
- É isso! – Empolgou-se ele. – Estamos na batalha juntos, mas agindo separados. Precisamos nos unir num ataque combinado.
- No que você está pensando, Jat? – Questionou Giovanni, já se sentindo envolvido pelo otimismo do amigo.
Jonathan abriu a comunicação com a Creedence e continuou, explanando seu plano.
- Creedence, vamos servir de escudo pra vocês. Avançaremos em fila, juntos, em direção a Sigma, nós na frente, te dando cobertura contra os tiros deles. Vocês vão mirar seus torpedos em nós e atirar, quantos forem possíveis, assim que eu der o sinal.
Dió arregalou os olhos quando ouviu Jonathan dizer que a Creedence deveria atirar contra eles, mas manteve-se calado. O tom da voz de Jonathan transparecia confiança, mas Helena e Mercedes ainda não conseguiam compreender qual era sua real intenção.
- Logo após dispararem os torpedos, mergulhem em manobra evasiva. – Jonathan concluiu a apresentação de seu plano. – Preparadas?
Helena concordou, mesmo que ainda em dúvida, e as duas naves voaram juntas buscando distanciar-se do cruzador Sigma. Já em uma zona segura, longe do ataque inimigo, as duas naves assumiram a formação em fila.
- Não entendi bem o que você quer, mas confio em você, irmão. – Incentivou Giovanni.
Xeren e Dió nunca haviam estado tão tensos. Dió juntou a cabeça aos joelhos, querendo não ver o que estava pra acontecer, e Xeren impressionava-se com o suor em suas mãos, firmemente agarradas ao encosto do acento de Giovanni, à sua frente.
- Não se preocupe, Giovannito. – Jonathan parecia mais otimista do que nunca. – Nós vamos vencer essa guerra.
Em formação, as duas naves aumentaram a potência dos motores, antes de investir contra o inimigo.
- Que chiado chato é esse vindo da nave de vocês? – Perguntou Mercedes, notando certa interferência, que distorcia levemente a transmissão vinda da Deep Purple.
- Ah, eles chamam de toca-fitas, meu amor. – Respondeu Giovanni, lembrando-se da música que continuou a tocar, mesmo que ninguém mais prestasse atenção. Animou-se, então, em apresentar aquela ultrapassada tecnologia. – Acredita que é totalmente analógico?
- Que horror! Vou mandar música de verdade pra vocês. – Mercedes escolheu uma música e aumentou seu som, permitindo que ela fosse transmitida nitidamente através do comunicador.
Quando Giovanni ouviu a introdução de Back in Black, da banda AC/DC, logo começou a balançar a cabeça para cima e para baixo sucessivamente, assentindo.
- Perfeito! – Disse ele, aumentando ainda mais a potência dos motores e partindo diretamente em direção a Sigma.
As duas naves seguiram em alta velocidade e em rota de colisão com a Sigma, que continuava a atirar incessantemente. Jonathan também atirava, atingindo os escudos do inimigo e muitas vezes interceptando seus tiros antes que esses os atingissem. A Creedence seguia ilesa, protegida pela Deep Purple.
- Mira travada. – Anunciou Helena.
- Fogo! – Ordenou Jonathan.
Mercedes pressionou o gatilho sem hesitação, e não o soltou até que a nave não fosse mais capaz de lançar torpedos. A energia da Creedence, já baixa devido às sucessivas batalhas, só foi suficiente para o lançamento de três torpedos.
Helena, assim como havia sido combinado, empurrou o manche o mais longe de seu corpo possível, fazendo com que a nave mergulhasse em evasão. Os três torpedos continuaram, retilineamente, perseguindo a Deep Purple.       
Enquanto se aproximavam, cada vez mais, da nave inimiga, Jonathan cantava junto a Brian Johnson, parecendo não se importar com o que acontecia ao seu redor.
- So look at me now, I'm just makin' my pay… Don't try to push your luck, just get outta my way… 'Cause I'm back! Yes, I'm back!

Distanciando-se em alta velocidade do foco da batalha, Helena e Mercedes puderam acompanhar, apreensivas, a trajetória, aparentemente suicida, executada pela Deep Purple. 
- Eles querem se lançar contra a Sigma. – Deduziu Mercedes, pensando finalmente compreender a verdadeira intenção de Jonathan. – Eles vão explodir juntos!
- Não vai funcionar. – Helena preocupava-se com a atitude do seu amado. Será que Jonathan realmente pretendia se sacrificar, e também os amigos, em prol da vitória? Se fosse essa sua intenção, seria um sacrifício em vão. Ela sabia que os escudos da Sigma conteriam a explosão da ogiva. – Não pode ser isso.      

Faltando alguns poucos metros para a colisão com os resistentes escudos do cruzador, Jonathan já não era capaz de deter os incontáveis tiros que eram disparados contra eles. Muitos desses tiros estavam agora acertando a frágil fuselagem da Deep Purple, e Giovanni começava a desesperar-se, esforçando-se ao máximo para manter a estabilidade da nave.
- Jat, nós vamos explodir! – Gritou ele quando o alerta de emergência começou a piscar em vermelho e apitar sobre o painel de controle.
A sua frente estava a imponente Sigma, protegida com seus intransponíveis escudos, e as suas costas três torpedos os perseguiam. A Deep Purple estava às vésperas da aniquilação, quando Jonathan, muito focado em seu plano inicial e ignorando qualquer sinal de perigo emitido pela nave, ordenou:
- Manobra evasiva, agora!
Giovanni virou o manche para a esquerda com toda sua força, e o aerodinâmico caça Delta, girando sucessivamente suas asas 360 graus em torno do cockpit, rolou para fora da trajetória dos torpedos, deixando o caminho livre para que atingissem em cheio os escudos da Sigma. O impacto daqueles três torpedos foi tão violento que, com um forte tremor, derrubou os poderosos escudos do cruzador.
- Conseguimos! – Gritou Jonathan, emocionado.
- Fantástico! – Empolgou-se Mercedes.
- Vocês estão bem? – Perguntou Helena, ainda preocupada.
- Melhor impossível! – Reportou Giovanni.
Dió e Xeren mal podiam falar. Estavam chocados com a manobra, arriscadíssima, que haviam acabado de executar.

Com os escudos da Sigma desativados, a vantagem voltara para as mãos dos defensores da Terra. O caminho estava novamente aberto para o lançamento da ogiva que finalmente acabaria com essa batalha. Porém, a Deep Purple se encontrava muito avariada, tornando a necessidade de se aproximar da Sigma, para enfim disparar a ogiva, algo excepcionalmente arriscado. Mais uma vez teriam de agir em conjunto para alcançar seu objetivo, e dessa forma a Creedence partiu para cima da Sigma, buscando atrair a atenção dos inimigos para si, enquanto a Deep Purple permaneceu distante, esperando o melhor momento para investir.
O embate era um fogo cruzado, onde cada uma das naves, já um tanto avariadas, tentava, como podia, atacar e ao mesmo tempo se esquivar dos tiros incessantes emitidos pelo adversário. Assim como nos combates entre antigos navios de guerra, as grandes proporções de ambas as naves não permitiam a agilidade suficiente para escapar da massacrante rajada dos canhões, sendo assim, permaneciam perseguindo e cercando uma a outra, até que a mais fraca viesse a sucumbir.
Aproveitando-se do descuido adversário, a Deep Purple aproximou-se sorrateiramente por baixo da Sigma, onde sua área de mira era ampla, o alcance do poder de fogo inimigo era reduzido e a sua capacidade de defesa praticamente nula. Estando a uma distância onde sua precisão era plena, a Deep Purple disparou sua ogiva.
A tripulação da Sigma percebeu tarde demais a aproximação do pequeno caça Delta. Logo após uma repentina manobra evasiva da Creedence, que a distanciou em alta velocidade do foco da batalha, o alerta vermelho, piscando no painel de comando do cruzador, veio avisar sobre sua iminente destruição.
Não havia mais tempo hábil para evasão. A extinção daquela nova e evoluída espécie, agora, era uma certeza. Contemplando a aproximação do míssil, o comandante da Sigma largou-se em seu acento e ponderou sobre a motivação de seus algozes.
Por que defender um planeta que não é o seu? Por que arriscar a vida por desconhecidos? O que motiva os seres humanos? O que os torna tão obstinados?  Que força é essa que os interliga a ponto de movê-los ao encontro da morte, revigorando-os quando essa vem em prol de seus semelhantes?
As respostas para essas perguntas ele jamais obteria. Sua infinita racionalidade era incapaz de compreender que o que realmente diferencia os seres humanos de qualquer outra espécie neste vasto universo é a capacidade de sentir.

...

Uma multidão de pessoas, integrantes da comunidade hippie, esperava, apreensiva, o retorno de seus heróis. Assustaram-se consideravelmente quando avistaram uma nave em forma de disco, muito maior do que a que assistiram partir, aproximar-se lentamente do solo.
- Eles foram derrotados! – Desesperou-se Ágata, já caindo em prantos. – Os Aliens vão dominar a Terra!
Mas ao avistarem a Deep Purple, descendo logo em seguida da Creedence, a tensão se aliviou, transformando-se num surto repentino de alegria. Com gritos, palmas e louvores foram saldados, de volta, os salvadores do planeta.
Quando as naves foram abertas e delas saíram seus tripulantes, uma verdadeira onda de pessoas correu ao seu encontro, abraçando e agradecendo-os. A primeira a investir foi Ágata, que, não se contendo ao vê-los vivos e saudáveis, abraçou Xeren com toda sua força, tirando-lhe o fôlego. A família de Dió também se amontoou ao seu redor, enchendo-o de perguntas, que ele teve prazer em, não somente responder, como também enfeitar suas respostas, colocando-o como um dos mais corajosos participantes da missão.
Jonathan e Giovanni apenas desvencilharam-se das tantas pessoas que os agarravam e queriam, a todo custo, ter a chance de ao menos tocá-los. Sua intenção não era ser rude com aquelas pessoas que tanto os admiravam, mas, depois de tanto tempo separados, o que queriam, mais do que tudo, era estar perto de suas amadas.
O abraço afetuoso foi seguido por um demorado beijo. Helena estava viva e Jonathan não era capaz de se lembrar de um momento em que estivera mais feliz. Quando seus lábios finalmente se desprenderam, Helena, olhando nos olhos de Jonathan, chamou sua atenção para algo que, até então, não havia passado por sua mente.    
- O Cronos foi destruído junto com a Estação 3000, não podemos mais voltar pra casa.
Jonathan olhou para todas aquelas pessoas, festejando acolhedoramente seu retorno, e, voltando-se novamente para Helena, respondeu-a, acariciando seu rosto:
- A Terra será nossa casa agora, meu amor.

Em meio ao pacífico e convidativo ambiente da fazenda, em vinte e seis de dezembro de mil novecentos e oitenta e cinco, nasceu Jonathan A. Trust Junior, e seu pai, sentindo-se orgulhoso, acompanhou sua mãe durante todo o trabalho de parto.
Quando Helena ouviu pela primeira vez o choro do bebê, lembrou-se do Doutor Peres e de como ele havia sido bom pra ela, aceitando acompanhar sua gravidez e auxiliar para que tudo corresse bem. Quando finalmente pôde segurar a criança, fitou-a demoradamente, como se quisesse estampar em sua memória cada detalhe daquele pequeno ser. Finalmente, olhou, com os olhos mareados, para Jonathan, que sorria, também emocionado, e disse:
- Meu filho é perfeito!
Ela jamais conheceria o resultado do julgamento ou teria qualquer notícia sobre o amigo Phillip Peres, mas iria rezar por ele durante todo o resto de sua vida, grata por sua generosidade.
Mercedes e Giovanni foram os padrinhos do pequeno Jat Junior e, enquanto seguravam o bebê durante a cerimônia, Mercedes mal podia conter a ansiedade, sentida pela vinda de seu próprio rebento, que já aguardava em seu ventre.

Com a chegada dessas novas vidas, nascia também a esperança de um novo futuro. O início de uma coexistência respeitosa e próspera entre a raça humana e o planeta Terra.


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